Zapffe
Esse nosso caro e respeitável colega da foto ao lado é Peter Wessel Zapffe, um filósofo norueguês do qual você não ouviu falar. Nah, nem insista, ele não tem nada traduzido em português e apenas um ensaio traduzido para o inglês. Nasceu em 18/dez/1899 e faleceu em 12/out/1990 e foi um filósofo existencialista, talvez o mais pessimista que já existiu.
A teoria de Zapffe, expressa no livro “Sobre a Tragédia” de 1941 (na verdade sua tese de mestrado) e um pouco antes, de forma reduzida no ensaio “O Último Messias” de 1933, único texto dele traduzido para o inglês é que os humanos são uma espécie de erro ou exagero da natureza pois nascemos com uma capacidade super-desenvolvida: a compreensão/auto-consciência. A incessante busca dos homens por justificativas em assuntos como morte e vida não pode ser satisfeita, umas vez que os homens possuem uma necessidade para a qual a natureza não pode prover satisfação. A tragédia (eis o título do livro) é que os homens gastam o tempo todo tentando não ser homens (fugindo dessa busca insaciável) sendo, portanto, um paradoxo.
O ensaio “O Último Messias” começa com uma fábula sobre um caçador da Idade da Pedra que ao sair de sua caverna é atingido por uma pena extrema de sua presa e acaba morrendo de crise existencial (sim, a caverna é uma alusão à Caverna de Platão, em “A República”). Em seguida defende que a natureza exagerou nos humanos, como exagerou nos “Alces Irlandeses”, extintos por ter uma galhada excessiva. Seremos extintos por nosso cérebro excessivo. Por último ele afirma que a civilização vai desmoronar uma vez que a tecnologia nos dá mais e mais tempo para pensar em nossos demônios, a vida se tornando uma insuportável fuga. O “Último Messias” do título é o que encerrará a civilização trazendouma mensagem de “conheçam a si mesmo, sejam infertéis e deixem a terra descansar”.
Carinha otimista.
O mais irônico de tudo é que esse mesmo Zapffe adorava escalar (“uma tarefa tão sem sentido como a vida”) e escrever textos cômicos. Inclusive o senso de humor e as piadas dele lhe valeram o epiteto de “Chaplin da Filosofia”, possivelmente um exagero, pois ele não era tão bom como Chaplin ou os filósofos são realmente desprovidos de humor.
Resposta final dele para aqueles que se desesperaram com a visão expressa em suas obras: “Infelizmente eu não posso ajudar. Tudo que eu tenho para enfrentar a morte é um sorriso tolo”.
Referências:
The View from Mount Zapffe
Philosopher of tragedy
Peter Wessel Zapffe
November 9th, 2005 at 14:28
Você precisa ler Beckett =]
November 9th, 2005 at 19:25
Realmente. Nunca ouvi falar
November 10th, 2005 at 17:17
Depois você me paga algumas brejas em agradecimento pela apresentação =]