Nosferatu: O Vampiro da Noite


Eu não gosto de fazer Análises de Filme começando pela história ou enredo, a menos que sejam muito interessantes ou diferentes. Nosferatu: O Vampiro da Noite do diretor alemão Wladimir Herzog é um filme sobre um vampiro chamado Conde Drácula (como curiosidade podemos citar que, como à época de Herzog os direitos do livro de Bram Stroker já estavam vencidos ele optou por retornar os personagens a seus nomes originais, coisa que o Nosferatu de 1922 não pode fazer. Enquanto no originais temos Conte Orlok, neste aqui temos Conde Drácula mesmo). Pronto, agora que sabemos a história, vamos ao que realmente interessa no filme e merece ser comentado.

O filme começa com uma terrível cena mostrando simplesmente múmias humanas de verdade. As imagens foram realizadas no “Guanajuato Mummy Museum”, que fica na cidade de Guanajuato no México. As cenas em si não têm muito a ver com o filme além da conexão morte/finitude, mas que te colocam em um estado de espírito bastante propício ao filme, ah, colocam.


Uma coisa que deve ser ressaltada neste filme é que ele possui uma visão original dos vampiros, quase impoluta. Herzog só leu o livro e viu o original Nosferatu e mais nada. Nada de Bela Lugosi ou dos clássicos da Hammer com Christopher Lee. Nada de vampiros pomposos e sedutores, nada de sangue e sexo, nada de personagens caricatos e bobos como os de Anne Rice ou de Vampiro: A Máscara. O Conde Drácula de Herzog é um solitário predador, nesta ordem.

Algo que só vim a saber mais tarde é que existem duas versões do filme, uma em inglês e outra em alemão, ambas filmadas ao mesmo tempo, pelos mesmos atores, sem dublagem (ou seja, as vozes são dos mesmos atores, tanto na versão alemão como inglês). Alguns críticos preferem a versão em alemão simplesmente por ser a língua nativa de Kinski e Bruno Ganz, mas consideram ambas as versões praticamente iguais.


Johanhtan Harker é interpretado pelo ator Bruno Ganz, de uma forma brilhante e é, arrisco a dize, o Harker perfeito, ainda mais com o inesperado e surpreendente final de Herzog. Lucy, aqui retratada como esposa de Harker é interpretada pela Isabelle Adjani (que mais tarde fez Rainha Margot), linda e funciona como personagem, mas é o elo mais fraco dos três personagens principais. O Conde Drácula tem uma aparência repugnante, claramente inspirada, mas melhorada às raias da perfeição, no Nosferatu original, Max Schreck. O mesmo visual de roedor, mil vezes amplificado e aterrorizante por Klaus Kinski, o irascível ator alemão que o interpreta. O som da respiração e o momento em que este morde e suga o sangue de Lucy são mesmerizantes.


Inclusive vale um espaço para falar do Klaus Kinski e de sua relação com o diretor Herzog. Kinski tinha uma personalidade dificílima e não parecia ser uma pessoa muito querida (apenas uma pessoa compareceu ao seu enterro, em 1991: o filho Nikolai Kinski), criando infinitas confusões em todos os projetos que participou. Herzog trabalhou com Kinski por 5 vezes, ameaçando matar o ator mais de uma vez (mesmo!) mas estas 5 obras são consideradas as melhores de ambos os artistas. São: Aguirre, der Zorn Gottes (1972), Woyzeck (1979), Nosferatu: Phantom der Nacht (1979), Fitzcarraldo (1982) (Palma de Ouro em Cannes) e Cobra Verde (1987).

Tenho a impressão de que este filme é conhecido de poucos e visto por menos pessoas ainda. Não entendo como uma cena como a da sombra do Conde entrando no quarto da Lucy, vista através do espelho desta, não está entre as mais impactantes do cinema. É fantástica e transtornamente e diz tanto sobre vampiros sem ao menos entrar em discussões didáticas enfadonhas e “Van Helsinguianas”. Você simplemente compreende que vampiros não se refletem em espelhos vendo a cena. Simples e poderoso.

Uma outra faceta do filme é a associação entre vampiro e ratos (presente até mesmo pela aparência roedora de Klinski) e a Peste como “dádiva” ou resultado da presença de um vampiro. A produção do filme utilizou 11.000 ratos negros pintados de cinza (ratos cinza estavam em falta no mercado) para realizar várias cenas, com resultados extremamente marcantes, como a procissão de caixões ou a Última Ceia dos portadores da peste, em meio a ratos e vinho.


As locações e a fotografia são fantásticas, exalando autenticidade. As infelizmente poucas cenas na Romênia, junto a um grupo de ciganos, são fantásticas. O filme não cheira a uma recriação, ele nos faz acreditar que foi mesmo filmado no local real, como ele era no final do século XIX. As cores são vibrantes e reais, sem pomposidades e nenhum ator soa ruim. E a atmosfera…! Hoje em dia o conceito de terror é controverso e está um pouco deturbado mas o filme é aterrorizante pela própria atmosfera do mesmo. Só de relembrar do Drácula de Kinski eu tenho arrepios. O filme valeria nem que fosse só por isso, mas ele também é o mais profundo e interessante filme de vampiros jamais realizado. O castelo de Drácula é de uma estranheza tamanha que ficamos pensando se é mesmo real.


A comparação inevitável entre o Nosferatu original de 1922 e este é dolorida, mas clara para mim: Herzog melhorou em muito o Nosferatu. Claro que em ombros de gigante, pois herdou deste último muito de sua ambientação, sua estranheza a sua visão original sobre os Vampiros. Eu diria que uma das poucas coisas, senão a única, melhor na versão original é o insuperável Renfield, no resto, me parece que Nosferatu: O Vampiro da Noite é o que Nosferatu deveria ter sido (ou seria, se tivesse sido filmado com mais possibilidades técnicas).

Nosferatu: O Vampiro da Noite está disponível em DVD no Brasil pela VERSÁTIL e pode ser encontrado por valores entre R$ 31,90 e R$ 43,90 através do Buscapé.

19 Responses to “Nosferatu: O Vampiro da Noite”

  1. Anica Says:

    bleh, não tem graça comentar um artigo bacana desse dizendo “concordo com tudo o que vc disse” ¬¬’

    o filme é perfeito mesmo, só a adjani que está fraquinha. e talvez nem tanto quanto eu disse logo que assisti. a cena do conde entrando no quarto dela ficou quase teatral.

  2. Luciano Says:

    Hum… Lendo isso me interessou o filme. Na verdade eu já me interessei antes, mas peguei trauma do Herzog depois de ver Strozeck. Mas o Nosferatu soou genial. Ou talvez seja o jeito de você colocar o filme aqui, Bettega. Anyway, apesar de você não gostar de Felinni, eu confio no teu julgamento pra cinema, heheh
    abração

  3. Roger Says:

    Eu adorei e adoro ainda todos os filmes de WERNER Herzog, Recomendo la Balade de Bruno S. (não conheço o titulo em portugues…)
    Quanto a Klaus Kinski ele foi certamente um ator genial mas desconhecido…
    A historia do cinema alemâo certamente retificara esse erro.

  4. Andreia Says:

    gostei muito do livro e uma historia apavorante meus parabens

  5. Bárbara Garcia Says:

    Ouso dizer que esse é um dos melhores filmes de vampiros que existe.

    Talvez pelas locações perfeitas e simplesmente pelo Herzog NÃO usar efeitos especiais, e por isso o roteiro e a fotografia tinham a obrigação de serem perfeitos.

    Uma coisa que reparei foi na teatral interpretação da Adjani e tudo me leva a crer que foi proposital.

    A duas melhores cenas são a do Nosferatu atravessando a cidade no meio da noite e a da guande festa das pessoas que sabem que pegaram a peste, ambas lindas e tristes.

  6. Adriano Says:

    Eu estava procurando informações sobre algum filme baseado no livro de Bram Stoker e me deparei com sua matéria, vou comprar este filme, existe mais alguma adaptação do livro?
    Li o livro este mês e estou maravilhado, praticamente o devorei…

  7. ANA PAULA Says:

    EU AMO VER FIMUSE DE VAMPIRO DA NOITE EU GOTOS AMIGO MORCEQOS MIHA CASA NOITES SERA
    VAMPIRELHA EU NÃO GOTOS SANGUE EU QERLO MORRE
    CAIXÃO CASETELO VAMPIROS

  8. karol Says:

    isso e muito maneiro eu curto rock me achei isso legal gosto de filmes de terror e priisipalmente de [vampiros]

  9. Anonymous Says:

    o nome do diretor nao e wladimir a werner herzog!!!

  10. Ana Paula Says:

    vampiro pegar noite eu dormindo
    esta cama sobra perede Quarto assutasr
    barte porta abril eu chupas sanque sua
    pescoço sofa dormindo profundo pessoa
    ver eu sofa viu eu pescoço tei vampiro
    asonto

  11. Vicente Reis Says:

    Eu não sei se entendi direito mas ao q parece, a pessoa q fez essa analize, ta meio desinformada! Amigão, Drácula é o original, Nosferatu foi feito em 1922 BASEADO no romance Drácula, de Bram Stoker.

    O original, que por sua vez é Drácula, foi publicado em 1897, portanto mais de 20 anos antes da bagunça feita no primeiro Nosferatu(1922). Vejam bem não estou dizendo q Nosferatu não seja um classico, mas apenas dizendo q ele é uma distorção do romance de Bram Stoker.

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