Eu tenho um livrinho de 1966 chamado “Pequeno Dicionário Histórico e Elucidativo de Assuntos Pouco Vulgares” que parece ter saído do século XVIII. É de um intelectual brasileiro ufanista, talvez octogenário, fã de Rui Barbosa e com cara de ter parado no século anterior (vide título da obra). É um livrinho muito saboroso, cheio de erros de composição e com uma ortografia ultrapassada que trata de… bem… “assuntos poucos vulgares” como Ovo de Galo, palavras diferentes do português, uma mulher que se tornou Papa e assuntos afins. A entrada sobre “top less” é fantástica! Algo como “não vi e não quero ver mas em Paris é a última moda, a que ponto chegaremos?”.
Uma das minhas entradas preferidas é sobre a “Papisa Joana”. É uma história/lenda cuja primeira referência encontra-se no século XIII nos escritos de dois cronistas aproximadamente da mesma época, o polonês Martin de Opava (ou Martin Polonus ou Martin von Trappau) que escreveu “Chronicon Pontificum et Imperatum” e Jean de Mailly em sua obra “Chronica Universalis Mettensis”. Antes de me estender sobre o assunto vou colocar os trechos das duas obras(infelizmente não fui capaz de encontrar os originais em latim e fiz uma tradução ligeira a partir do inglês). Primeiro, Martin de Opava:
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